quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A consciência como nada. O mundo, a escolha e a gratuidade.

Um dos principais filósofos da contemporaneidade, o filósofo Francês Jean Paul Sartre, desenvolveu ao longo de suas obras (ensaios, teses filosóficas, romances etc.); todo um arcabouço teórico no qual repousa alguns conceitos interessantes que podem ser articulados sobre diversas perspectivas. Tentaremos, assim, descrever os principais conceitos do filosofo francês; e obviamente, dar uma explicação sumária sobre os mesmo.

   O ser em si e o para si...
        Para Sartre existem dois tipos de “estrutura da realidade”; uma que ele denominou o “em si” (ou seja, aquilo que é) e outra a que ele chamou de “para si” (o nada); dito de outro modo existe uma dialogicidade entre as coisas que possuem ser e as que não possuem “ser”. O em si seria algo que possui ser; porém não possui consciência de ser algo (por exemplo, uma cadeira pode ser pensada como um ser em si); assim essa opacidade, esse fechamento e falta de consciência é o que caracteriza o ser em si.  O ser em si de maneira sumária é aquilo que é: ou seja, não pode ser afirmado ou negado. Em contraposição ao ser, existe o para si (o homem) que não possui um ser definido. Para o Francês o Homem não possui nenhuma essência ou ontologia que possa defini-lo a priori em relação à existência. Por isso, o homem e o nada em Sartre, significam a mesma coisa.



  O  para-si em liberdade.

A obra do filósofo é em sua maior parte uma análise das relações do para si dentro do mundo; dito de outro modo, o para si (homem) ao manter uma relação dialógica com outras consciências e com entes em si faz uma ação muito própria e característica sua: projetar-se no mundo. E ao projetar-se no mesmo exerce uma ou talvez a sua principal ação dentro do real que é: a capacidade de livremente escolher suas ações e seus atos.  Jean Paul Sartre argumenta que o homem não é algo que pode ser definido em sentido ontológico; embora ele (o homem) tente sempre por várias formas dentro da sociedade “vir a ser” alguma coisa estática e petrificada (conduta de má- fé).  Essa consciência que possui uma intencionalidade dentro da realidade deve, pois, descobrir a si mesmo como um ente sempre em potência; e nunca como algo estático e definível. . O filósofo aqui, ao caracterizar a liberdade do homem como sendo um fator decisivo, também chega a sua célebre conclusão: “que o homem está condenado a ser livre”; ou seja, é parte da característica dessa consciência escolher, ainda que essa escolha não seja feita de maneira totalmente “consciente”.
 O homem sempre escolhe; pois, ainda que escolha não escolher estará sempre escolhendo argumentará Sartre. Ou seja, estará sempre sendo “atravessado” de coisas que podem vir a ser; pois ele sendo esse canal “nadificante” por onde tudo pode passar não pode ser definido de maneira totalmente precisa através de conceitos; mas deve ser pensado na sua concretude real, livre e existencial.   
 Estando jogado no mundo e “introjetados” nessa grande imanência; Sartre irá categorizar a existência como sendo o mais importante aspecto para o ser humano.  Ao conceituar o existencialismo como a corrente filosófica que diz que: “a existência precede a essência” e dentro dessa, e somente nessa existência, é que o homem pode perceber-se como um grande projeto e entender as suas inúmeras contradições internas.  

  



       A má fé e a gratuidade...

Sartre dirá que o homem (o para si) tem a tendência de desempenhar papéis diversos dentro da sociedade; porém esses papéis sociais tendem a fazer o para si torna-se um em si. Dito de outro modo, o homem tem a tendência para coisificar-se, para fechar-se dentro da opacidade de uma profissão ou de qualquer outra prática social por exemplo.
É somente no mundo que pode existir a liberdade; pois é na existência que podemos e estamos sempre “vindos a ser”. Porém esse engodo que a coisificação (ou também chamada de “vida inautêntica”) é uma realidade que aparece dentro da existência e da qual o homem constantemente confronta-se. Ao decidir coisificar-se, ao tentar torna-se algo mesmo (sendo um nada); o homem estaria agindo, segundo o filósofo, pelo comportamento de má fé.  O mesmo nada mais é do que: tentar ser alquilo que não é.
Existir em Sartre é então, afirmar-se pela negação; ou seja, é enxergar como sendo um ente em constante potência. A vida autêntica para este filósofo é o reconhecimento de toda a náusea existencial que pode atingir o homem; e mesmo assim ele (o homem) deverá afirmar sua existência e a sua total responsabilidade pelos seus atos e ações morais. Ao perceber assim a gratuidade do existir, o ser humano deverá sentir-se angustiado e nauseado perante tamanha responsabilidade de suas ações morais; porém, ao mesmo tempo, perceber-se como totalmente livre em face às contradições das quais vive.

   Conclusão:

Tentamos articular alguns conceitos de Jean Paul Sartre de maneira bem sumária para ficar claro alguns pontos de extrema importância de sua filosofia de maneira clara e mais “limpa” possível.  Sartre pode ser pensado como um filósofo da liberdade; pois seus argumentos nos provocam a pensar que: quaisquer decisões de sucesso ou de fracasso serão sempre derivadas de uma causa ou resultado humano. Daí a “dureza” dessa filosofia; que embora difícil ainda hoje, nos provoca reflexões, consensos ou até mesmo, divergências dentro da história do pensamento ocidental.



terça-feira, 8 de outubro de 2013



O texto religioso, ritual e  coerção social

- Ponto de vista de  Michel  Foucault

 "Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração"   Hebreus 4: 12.

"Suponho que em toda a sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e retribuída por certo número de procedimentos que tem por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada materialidade"( Foucault, Michel. A ordem do discurso, p. 8-9).
                                                                        

Podemos abordar, uma questão central do fenômeno religioso( discurso sagrado), à partir de uma clave Foucaultiana; ainda que, acredito pessoalmente,  essa abordagem seja no  "mínimo provocadora".

 Todavia,  se não é de provocações que se vive a filosofia? Paciência então...


 Focaremos no discurso bíblico do cristianismo; é isso, pois, ao que aqui no referimos como "discurso do sagrado".

 Quando lemos qualquer evangelho, percebemos nos mesmos ( devido a sua longa historicidade)  uma série de comentadores que se estendem-se  sobre toda a história cultural do mundo ocidental. É, pois, evidente, que se criou, até mesmo, toda uma ciência teológica( entenda-se ciência não como conceito moderno), como foi a teologia católica medieval,  a partir da citada revelação cristã.

Esse texto de cunho sagrado; dentro das diversas teologias que ramificaram-se no mundo ocidental, é  constantemente renovado, constantemente multifacetado e, não menos, constantemente legitimado. Esse discurso primeiro; será, pois o centro daquilo que o filosofo Francês chamara de: "centro de  poder das sociedades fabricadoras de discursos".

Dentro do comentário, instaura-se um processo tautológico de penetração do discurso, amiúde, em diversas  camadas do social. É  nesse "ritmo", ou melhor dizendo, nessa cadência, de harmonia e de dissonância; que estaria a gênese  da genealogia do poder para Foucault.

Definido, principalmente,  por um processo de coerção, de proibição da palavra,  e regulamentando comportamentos ; distinguimos claramente aquilo que pode ser dito ou não dito dentro da esfera do sagrado. Dito de outro modo, "o discurso primeiro" fortemente comentado, valorizado e simbólico; ganha sobre os homens a clara  demarcação entre o puro e o ímpio.

 Esse discurso, ou melhor essa palavra( agora a partir de uma força de poder) é sempre, outrossim, marcada por uma forte ritualização. " Os discursos religiosos , judiciários ou terapêuticos e, em parte também, políticos não podem ser dissociados dessa prática de um ritual que determina para os sujeitos que falam, ao mesmo tempo, propriedades singulares e papéis estabelecidos. " ( Foucault, 1962, p. 39)

 Ainda nesse raciocínio; podemos perceber que o  ritual dá direito e proclama deveres; que somente podem ser marcados e delimitados dentro do campo religioso por uma grupo limitado de indivíduos. É notório, que independendo da religião, a maioria das mesmas produzem uma casta de sacerdotal, ou dito, teologicamente, uma "comunidade eclesiológica".  Seria esse grupo (sujeitos ativos), legitimados pelo discurso e pelo ritual do mesmo;  que  passariam a possui um poder de dimensão de coerção amplo dentro de uma específica esfera social.

Outras ideias, sobre o discurso, estariam  ainda no campo do ensino e da disciplina religiosa.  Obviamente, toda uma casta sacerdotal, passa pois pelo crivo do ensino e da disciplina teológica. "O que é afinal um sistema de ensino senão uma ritualização da palavra; senão uma qualificação e uma fixação dos papeis do sujeitos que falam"( Idem, p. 44).  Podemos, pois, observar que já no ensino do sacerdote ou do papel eclesiástico, existe no ensino um papel de ritual.  Marcados por uma relação dialética de comentários, práticas devocionais e comportamentos legitimados; os mesmos são ramificações determinantes e determinadores do "discurso primeiro".

 Concluindo;  o ritual do discurso e a legitimação do poder religioso poderíamos  arriscar a dizer, pelo menos  na visão Foucaultiana,  produz uma "espécie de neblina"  que ofusca nossos olhos e que não nos faz enxergar a gênese e a genealogia do poder; que seria, para o  filosofo o  discurso primeiro de uma  sociedade ( neste nosso exemplo "o evangelho") . Tamanha é, pois,  a sua capacidade de dominação, ainda, que, não aparente... Pois  o mesmo se propaga de maneira eficaz e quase que imperceptível. Formando, não menos que como  metaforicamente "teias invisíveis e multifacetadas  de dominação"; porém repousando, sempre,  sobre um centro genealógico de poder.



Bibliografia: Foucault. Michel.  A ordem do discurso( L' ordre du discours). 1962. Edições Loyola. São Paulo.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013


A Teoria Crítica de Adorno e Horkheimer - Liberdade, Poder e Escravização Moderna. Análise baseada no livro: “Dialética do Esclarecimento”. [1]

 

 

       Introdução.

O processo de dialética do esclarecimento marcou, pois, uns dos fundamentais pilares do pensamento; principalmente na sociologia e, outrossim, na filosofia contemporânea. .A chamada “teoria crítica” proferida por Adorno e Horkheimer; marcaram uma ruptura para integibilização do processo histórico da chamada época da razão; ou, dito de outro modo: das causas e resultados do Iluminismo no Ocidente.  Desenvolveremos o nosso trabalho tendo como foque os conceitos de: liberdade, poder e escravização em perspectiva frankfurtiana.

 

    Conjuntura do pensamento de Theodor Adorno.

Se faz mister; pois, entender o problema colocado por uma escola de pensamento; e, também qual a sua contribuição ao longo da História da Filosofia. Vamos aqui expor sumariamente para que nós possamos analisar a filosofia da escola de Frankfurt dentro dessa historicidade.

Com a saída da modernidade (principalmente com as filosofias de Kant e Hegel e o Marxismo); surge uma grande manifestação para pensar problemas que até então não tinham sido abordados da maneira como iremos descrever nesse trabalho. Se o Kantismo é o fundador da epistemologia moderna; e Hegel um dos últimos a propor “um grande” sistema filosófico; o que os Frankfurtianos tentaram promover em sua filosofia será uma Teoria Crítica (inspirada na dialética hegeliana e em alguns conceitos do Marxismo) para tentar entender a falha do projeto iluminista; ou seja, o fracasso da “Razão Instrumental”.

Como que a liberdade (que foi um arauto dos tempos modernos; e que nos prometeu salvar e desencantar o mundo que fora dominado pelo pensamento escolástico); pode manter-nos aprisionado e coisificados? O que é a razão instrumental? Será o homem  Racional da Ilustração realmente livre?

Esses problemas originais; e, igualmente suas respostas, serão dadas por Adorno em suas reflexões filosóficas.

         

      A Filosofia.

       Para Adorno um dos grandes problemas da modernidade seria a coisificação do ser humano através do esclarecimento ou de um razão instrumental. Porém o que viria a ser essa razão? Segundo os filósofos; a partir não apenas do iluminismo, porém já nas grandes narrativas homéricas; o homem com o objetivo de desmitologizar a natureza para melhor compreende-la, controlar e dominá-la; se fez necessário definir conceitos, teorias e princípios analíticos que prometiam ao ser humano uma maior liberdade de pensamento e de ação em qualquer conjuntura. Isso seria, pois, a Razão Instrumental: uma hipérbole da valorização do racional para a  sua instrumentalização e dominação no mundo.

 

Com o inicio da modernidade existiu, segundo os autores, toda uma matematização das ciências. A configuração clássica proposta por Francis Bacon sobre os diversos “ídolos” que impediriam o avanço da mesma é muito citado por Adorno. Para o esclarecimento, aquilo que não se reduz a números; e, por fim a uma “certeza apodítica” passa a ser uma ilusão. Sendo que: “o positivismo moderno remete-o para a literatura” (Adorno, 1985 p. 27).  

 

Assim a Ciência Moderna com a sua promessa de liberdade de pensamento e desencantamento do mundo aparece como um engodo para o homem racional. Não mais liberdade; porém escravização, submissão à linguagem, aos comportamentos e, outrossim, aos signos da mesma.

No livro supracitado ocorre uma longa discussão sobre as primeiras explicações mitológicas. Os mitos, segundo os autores, ganharam força não somente pelo seu caráter explicativo; porém pelo seu caráter repetitivo em discurso.  O que outrora era feito com a magia, com os rituais, sacrifícios, holocaustos e linguagem esotérica; hoje acontece o mesmo processo de alienação e de dominação através do cientificismo.  Pois aquele que domina a linguagem científica, possui, ou, controla o poder... Todavia aquele que é alheio a mesma está sempre subjugado e dominado por essa linguagem e pensamento.

O comportamento humano e às tendências hodiernas são montadas por verdades não, mas míticas; porém, cientificas.  E a ciência ou as suas verdades que são múltiplas, porém, que buscam sempre a universalidade; possuem a capacidade de moldar e engendrar diversas tipologias comportamentais, de valores e padrões no seres humanos. Graças à repetição ou sublimação (conceito muito utilizados tanto na psicanálise quando em Adorno) acabam gerando um efeito cíclico, hipnótico sobre as diversas pessoas de um corpo social.

O preço da dominação não é meramente a alienação dos homens com relação aos seus objetos dominados; com a coisificação do espírito, as próprias relações dos homens foram enfeitiçadas, inclusive as relações de cada individuo consigo mesmo (ADORNO, HORKHEIMEN, 1985, p. 35)

 

Soma-se isso ao fato de toda a ciência atual está configurada em linguagem matemática; o que dá uma falsa impressão de neutralidade cientifica. Porém é de notar que quanto mais avançamos em caráter cientifico, tecnicista e mecanicista; mais coisificamos a nós mesmos.  Assim, pois, a interpretação frankfurtiana é que: a perda do sujeito, ou do “eu” moderno é uma característica da sociedade burguesa.

 

A divisão do trabalho e a promoção da hierarquia social ajudam também que existiam diversas camadas de discursos; e que muitos se sobreponham uns aos outros. Dito de outro modo, a objetivação complexa da realidade acaba por gerar uma nulidade do sujeito que pretendia dominar a natureza. Porém, que agora volta à irracionalidade, e, também: a “ilogicidade”. Todavia com uma “certeza” afirmada pelo caráter positivista das ciências.  Nesse sentido percebemos que a dialética do esclarecimento nada mais é que um pensamento totalitário que busca não somente a hegemonização; porém como a modelagem dos diversos atores sociais em um determinado lócus.

 A liberdade proposta pela hipostasia da razão instrumental, segundo Adorno, gerou uma grande paradoxo (ainda que irônico e pessimista): proclamou a destruição, alienação, escravidão de todos aqueles entes que vivem dentro dessa linguagem cientificista, analítica e conceitualista.

O mito recontado e dentro de um processo histórico passa a ter força de uma doutrina. Dito de outro modo, o mito passa a ser fonte de significação para a explicação do mundo. A partir da conversão do mito em esclarecimento; o homem comanda a natureza através da objetivação. Porém; comanda, alienando-se.

     A liberdade escrava da Ciência.

Quando o homem tenta “sair” do mito através de uma explicação racional; existe, todavia uma volta ao mito. Pois a objetivação da ciência, e a repetição de tais explicações reduzem a liberdade do homem.  Este é um dos pontos fundamentais no argumento adorniano; quanto mais racionalização e objetivação da realidade, mas o seu sujeito distancia-se da realidade.  O filósofo se contrapõe a sociologia de Durkheim quando mesmo achava que racionalidade formava uma solidariedade entre os indivíduos... Para o filósofo Alemão, pelo contrario; quanto mais a razão instrumental estiver em voga, mais a mesma terá poder e será autoritária. Destruindo a liberdade humana, ainda, que, sutilmente.

A liberdade dentro de organizações religiosas e a experiência com o sagrado.

No capítulo “dialética do esclarecimento” Adorno possui interessantes análises sobre o processo de incorporação dos diversos discursos que deram origem aos processos mágicos, de feitiçaria e também das religiões ditas, tradicionais. Adorno interpreta que com a proclamação através da fé de verdades universais; essa mesma crença deve ser sistematizada em um discurso. E que o mesmo será repetitivo, cíclico e tautológico durante anos. Para o pensador, essa capacidade de repetição é o que dá o poder ao discurso religioso. Pois, o mesmo, é feito de signos que só estão disponíveis para uma casta de sacerdotes que podem delimitar o espaço ou a fronteira entre o divino e o profano.

   O poder da razão instrumental é: “O saber que é poder não conhece barreira alguma, nem na escravização da criatura, nem na complacência em face dos senhores do mundo” (Adorno, 1985, p. 18).

     Esclarecimento e Poder.

Por fim, gostaríamos de expor algumas idéias que repousam sobre os comentários de Adorno sobre a questão do poder e a ligação do mesmo com a razão instrumental. Fica até bem claro pelo que já foi escrito até aqui, que, para esses pensadores: a função da ciência e da razão; foi sempre a de manter uma coerção social através de signos, da linguagem e dos comportamentos sociais que possam vir a  causar um tipo de padrão aceitável e homogêneo em toda sociedade. Obviamente, toda essa linguagem “modelada” pela razão (fonte de alienação); é, materialmente, causa de poder de poucos dominantes sobre inúmeros dominados.

Desde os tempos da Grécia onde os filósofos como Platão e Aristóteles promulgaram as sua verdades cosmológicas, universalistas e metafísicas; o homem que não era pertencente aquele grupo deveria se sujeitar a tais explicações. Todavia, como bem diz Adorno, todo esse poder acaba voltando contra o próprio dominante; já que à razão instrumental possui a capacidade de nulidade e de fomentar a irracionalidade; ainda que esse irreal possa ainda não ser compreendido pela ciência ou filosofia. 

Outro território muito criticado pela Teoria Crítica; seria também o poder sobre as mercadorias em processo capitalista de produção.  A burguesia (ou dominantes) em posse da linguagem científica plausível e aceitável; poderia comandar gostos, modas e tendências culturais; o que obviamente acabaria criando toda uma espécie de homogeneização comportamental, como, outrossim, de pensamentos, atitudes, crenças e valores. Aqui Adorno coloca em evidência o conceito de cultura de massa que segundo ele seria uma fonte importante para o domínio e manutenção do poder da classe burguesa sobre os diversos dominados.

 

Diz o autor: “As inúmeras agencias da produção em massa e da cultura por ela criada servem para inculcar nos indivíduos comportamentos normalizados como únicos naturais, decentes e racionais” (Idem, p. 35).   Talvez esse seja o grande poder da razão instrumental no processo de alienação da subjetividade do sujeito: a dominação autoritária, tirânica e opressora.

 

Conclusão:

Tentamos, ainda que, sumariamente mostrar e articular de alguma maneira a forma como ficou conhecido a Teoria crítica da escola de Frankfurt. Embora, a linguagem e os conceitos estejam em grande maioria em clave Marxista a mesma possui outro tipo de critica. Que seria “o ataque” aos parâmetros culturais; e, não apenas economistas ou “economicistas” tão peculiares (pelo menos ao nosso ver) ao Marxismo. Através de uma arma poderosa que é o saber o homem pode se elevar como  pode se corromper. Cabe, portanto, para os pensadores críticos uma análise desse saber; pois como diz o filósofo em uma afirmação categórica: “Portanto, a superioridade do homem está no seu saber, disso não há dúvida (Idem, p. 17).

 

Bibliografia:
Adorno, Theodor. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos Theodor W. Adorno, Max Horkheimer; tradução, Guido Antonio de Almeida- Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985


[1] Vide bibliografia.