A
consciência como nada. O mundo, a escolha e a gratuidade.
Um dos principais filósofos da contemporaneidade, o
filósofo Francês Jean Paul Sartre, desenvolveu ao longo de suas obras (ensaios,
teses filosóficas, romances etc.); todo um arcabouço teórico no qual repousa
alguns conceitos interessantes que podem ser articulados sobre diversas perspectivas.
Tentaremos, assim, descrever os principais conceitos do filosofo francês; e obviamente,
dar uma explicação sumária sobre os mesmo.
O ser
em si e o para si...
Para Sartre existem dois tipos de “estrutura
da realidade”; uma que ele denominou o “em si” (ou seja, aquilo que é) e outra
a que ele chamou de “para si” (o nada); dito de outro modo existe uma
dialogicidade entre as coisas que possuem ser e as que não possuem “ser”. O em
si seria algo que possui ser; porém não possui consciência de ser algo (por
exemplo, uma cadeira pode ser pensada como um ser em si); assim essa opacidade,
esse fechamento e falta de consciência é o que caracteriza o ser em si. O ser em si de maneira sumária é aquilo que
é: ou seja, não pode ser afirmado ou negado. Em contraposição ao ser, existe o
para si (o homem) que não possui um ser definido. Para o Francês o Homem não
possui nenhuma essência ou ontologia que possa defini-lo a priori em relação à
existência. Por isso, o homem e o nada em Sartre, significam a mesma coisa.
O para-si
em liberdade.
A obra do filósofo é em sua maior parte uma análise
das relações do para si dentro do mundo; dito de outro modo, o para si (homem)
ao manter uma relação dialógica com outras consciências e com entes em si faz
uma ação muito própria e característica sua: projetar-se no mundo. E ao projetar-se
no mesmo exerce uma ou talvez a sua principal ação dentro do real que é: a capacidade de livremente escolher suas
ações e seus atos. Jean Paul Sartre
argumenta que o homem não é algo que pode ser definido em sentido ontológico; embora
ele (o homem) tente sempre por várias formas dentro da sociedade “vir a ser”
alguma coisa estática e petrificada (conduta de má- fé). Essa consciência que possui uma intencionalidade
dentro da realidade deve, pois, descobrir a si mesmo como um ente sempre em
potência; e nunca como algo estático e definível. . O filósofo aqui, ao caracterizar
a liberdade do homem como sendo um fator decisivo, também chega a sua célebre
conclusão: “que o homem está condenado a ser livre”; ou seja, é parte da característica
dessa consciência escolher, ainda que essa escolha não seja feita de maneira
totalmente “consciente”.
O homem
sempre escolhe; pois, ainda que escolha não escolher estará sempre escolhendo
argumentará Sartre. Ou seja, estará sempre sendo “atravessado” de coisas que
podem vir a ser; pois ele sendo esse canal “nadificante” por onde tudo pode
passar não pode ser definido de maneira totalmente precisa através de
conceitos; mas deve ser pensado na sua concretude real, livre e
existencial.
Estando jogado no mundo e “introjetados” nessa
grande imanência; Sartre irá categorizar a existência como sendo o mais
importante aspecto para o ser humano. Ao
conceituar o existencialismo como a corrente filosófica que diz que: “a existência
precede a essência” e dentro dessa, e somente nessa existência, é que o homem
pode perceber-se como um grande projeto e entender as suas inúmeras contradições
internas.
A má fé e a gratuidade...
Sartre
dirá que o homem (o para si) tem a tendência de desempenhar papéis diversos
dentro da sociedade; porém esses papéis sociais tendem a fazer o para si
torna-se um em si. Dito de outro modo, o homem tem a tendência para coisificar-se,
para fechar-se dentro da opacidade de uma profissão ou de qualquer outra
prática social por exemplo.
É somente no mundo que pode existir a liberdade;
pois é na existência que podemos e estamos sempre “vindos a ser”. Porém esse
engodo que a coisificação (ou também chamada de “vida inautêntica”) é uma
realidade que aparece dentro da existência e da qual o homem constantemente
confronta-se. Ao decidir coisificar-se, ao tentar torna-se algo mesmo (sendo um
nada); o homem estaria agindo, segundo o filósofo, pelo comportamento de má fé. O mesmo nada mais é do que: tentar ser
alquilo que não é.
Existir em Sartre é então, afirmar-se
pela negação; ou seja, é enxergar como sendo um ente em constante potência. A
vida autêntica para este filósofo é o reconhecimento de toda a náusea existencial
que pode atingir o homem; e mesmo assim ele (o homem) deverá afirmar sua
existência e a sua total responsabilidade pelos seus atos e ações morais. Ao
perceber assim a gratuidade do existir, o ser humano deverá sentir-se
angustiado e nauseado perante tamanha responsabilidade de suas ações morais;
porém, ao mesmo tempo, perceber-se como totalmente livre em face às
contradições das quais vive.
Conclusão:
Tentamos articular alguns conceitos de Jean Paul Sartre
de maneira bem sumária para ficar claro alguns pontos de extrema importância de
sua filosofia de maneira clara e mais “limpa” possível. Sartre pode ser pensado como um filósofo da
liberdade; pois seus argumentos nos provocam a pensar que: quaisquer decisões
de sucesso ou de fracasso serão sempre derivadas de uma causa ou resultado
humano. Daí a “dureza” dessa filosofia; que embora difícil ainda hoje, nos
provoca reflexões, consensos ou até mesmo, divergências dentro da história do
pensamento ocidental.
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